Dois são meus assuntos: Pâmella e trabalho.

Não fui chamado para o contrato temporário da escola de japonês onde eu trabalhava, e isso me faz triste e ocioso, porque ainda não sei bem como disporei meu tempo de estudos e de trabalho criativo; quero muito escrever, ler, estudar japonês e alemão, começar a escrever meu mestrado e ganhar dinheiro... estou numa fase onde quero ganhar muito dinheiro! Desde que me apaixonei por Ella não consigo pensar em coisa que não seja tornar-me um bom varão de casa, pai de família, com filhos e sonhos divididos com ela! Mas para tudo isso preciso de dinheiro, e hoje não tenho renda... nada! Por um lado é bom, pois terei, oxalá, tempo para fazer as coisas que amo e necessito. Por outro, sentirei um ócio enorme, e não terei mais dinheiro. Se eu estudar o suficiente para passar em um bom concurso, na segunda metade do ano, meus problemas se resolverão para 2021, mas para isso preciso fazer minha parte de estudar para concursos, também. Numa conversa que tive ontem a noite, no carro, com Ella (e foi a conversa mais profunda em sentimento que eu já tive com alguém em toda a minha vida! Nossos sentimentos são poderosos!), percebi que meu ano de 2020 pode ter sido majestosamente arquitetado por um criador benigno e divino, que talvez tudo tenha sido orquestrado para que eu simplesmente conhecesse a mulher da minha vida. Porque tudo, especialmente no segundo semestre do ano passado, aconteceu de um modo tão curioso, engraçado que não consigo dar outro nome que não seja destino! O Paranoá me deu tudo que Taguatinga não me deu até hoje: um carro legal, boas conversas, um emprego, dinheiro e um grande e nobre amor. Por isso sou eternamente agradecido. Por não trabalhar mais ali sinto a nostalgia daqueles tempos vindo de forma cada vez mais aguda. Ali amadureci o início da minha fase adulta, e percebi que gosto, e que sou bom, lidando com pessoas. Foram reais bons momentos, e quando ouço as músicas que eu ouvia quando pegava meu ônibus às 5:50 da manhã sinto saudades, porque fiquei mais forte e mais experiente. E de quebra conheci a mulher pela qual sou apaixonado.

Nos últimos dias tive algumas discussões com a Pâmella relativas a ciúmes. Houveram algumas atitudes dela que machucavam meu coração, mas ela não sabia quais que eram e eu as apontava. Ela não entendia os motivos de me machucar, e também relatou não sentir ciúmes. Logo de mim, que sou extremamente ciumento e precavido! O amor, pelo que vejo, exige desarme total, e isso pode dilacerar a vida de uma pessoa. Ela não tendo ciúmes me abriu um questionamento, porque eu, sendo ciumento, posso ver ciúmes nas coisas que ela faz e acabar me machucando, pois para ela são coisas que não são passíveis de, delas, se sentir ciúmes, já que ela mesmo não consegue sentir o ciúmes. Esse pensamento estremeceu meu coração, e conclui que deveria mudar de postura perante o amor caso eu não quisesse sofrer: não queria que ela mudasse, não queria que eu a mudasse, então resolvi que eu mudaria minha própria postura. Dessarte achei que seria uma boa estratégia parar de me importar e de me precaver com os detalhes mínimos, pois com o tempo o desapego aos detalhes faria o meu ciúmes diminuir, e assim eu não me machucaria com qualquer coisa que ela fizesse que antes me causaria ciúmes, porque eu estaria em um nível de desapego tão grande que não me importaria. Mas isso, é claro, só faria o meu sentimento por ela diminuir, e isto não era só indesejável como impossível. Acredite, tentei não me importar e desapegar, mas não foi possível. Era uma estratégia logicamente funcional, mas emocionalmente impraticável. Meu amor caminhará sempre com as complicações e sentimentos de ciúmes e medo, então precisaria entregar tudo isso para ela mesmo que me doesse até a morte! É um pacote completo. Em troca, emu coração se torna generoso, e minha vontade, ao amar, é colocar o ser amado em um recipiente caloroso e agradável. Preciso entender que se machucar fará parte da nossa estrada amorosa, e que precisamos mutuamente nos aceitar por quem somos e aprender com as fraquezas do outro, mas nunca se aproveitar delas. Após um papo profundo e sincero sobre meus sentimentos mais nobres (uma conversa que nunca tive com nenhuma outra mulher em toda minha vida), começamos a nos amar mais, porque nos aceitamos mais, e não choramos naquela hora apenas por uma tola convenção social. Somos instruídos de formas diferentes emocionalmente, mas atraímos a alma do outro por algo em nossas auras que nos aproxima, algo que só o destino poderá entender direito. Ao amor se precisa de coragem! Meus sentimentos e o meu coração podem ser uma bomba relógio. Mas também são enormes em generosidade e paixão. É melhor se abrir ao mundo e às possibilidades da paixão do que fechar-me com medo de ser magoado. Exponha-se ao mundo, mostre sua alma! A vida precisa ser vivida, e os sentimentos precisam ser expostos! Uma hora você vai precisar jogar de qualquer maneira.