Seis meses após meu último escrito nesse diário, retorno com algumas notícias ruins. Em junho, infelizmente, duas coisas aconteceram que me decepcionaram bastante, a começar com o término de relacionamento com Ella. Jurei meu amor e lealdade, mas algumas brigas aconteceram, promessas e sonhos foram pra casa do caralho. Não me arrependo dos três poemas que escrevi a ella, continuam sendo três de minhas obras primas da métrica e cortesia. Fiquei mal por algumas semanas, bebi bastante, fui me aconselhar com meu tio e retomar as rédeas do meu destino. Ao final do mês, poucos dias atrás, a porta do meu quarto foi arrombada porque minha mãe me julgou como suicida. Eu estava ouvindo música no meu fone, dançando, malhando e cantando em voz baixa, mas com o som no máximo volume. Não dava pra ouvir nada do exterior, e eu os avisei! Em seguida, pelado, desarmado e humilhado, vejo minha porta sendo arrombada, porque minha mãe ficou preocupada e resolveu performar essa ridícula cena. Não poderia ter ligado? Afinal, eu estava no celular durante quase todo o tempo, e quando estamos em cômodos diferentes ela sempre liga. Senti-me constrangido e passei os últimos dias procurando algum lugar pra morar, mas hoje, sem forças, por conta da minha nova ida ao hospital, desisti da ideia. É que tive uma consulta (do coração) repleta de saldos negativos. A médica reforçou que minha vida não será muito longa. Disse que 20% da musculatura do meu coração já está morta, e que meu coração está enfraquecendo mais rapidamente que o do meu irmão. Ela reiterou a seriedade da doença e disse ainda que mais pra frente precisarei entrar na lista para ganhar, doado, um coração. Mas eu sei a sensibilidade e o perigo que esse tipo de procedimento nos sujeita. Ademais, ela viu que meu coração desenvolverá, no futuro, um aneurisma. O aneurisma e o enfraquecimento rápido do meu coração, disse a doutora, pode ter correlação com meus genes, e dependendo de como procedem, situações específicas podem engatilhar o desenvolvimento/aceleramento dessas doenças. O caso que ela citou, principal, é o estresse corporal e o trauma. Talvez tudo isso tenha correlação com a besteira que fiz em setembro, já especificada nesse diário. Talvez tenha também a ver com o estresse físico no qual estou impondo meu corpo, com tomadas de exercícios de impacto muscular e cardiovascular. Dessarte, para desacelerar minha morte (porque ainda tenho muito o que fazer), manterei uma dieta moderada em doces e sódio, tal é a gravidade de minha situação (porque inclusive, agora, tomarei dois remédios mais fortes pra controlar a minha bomba relógio). Por fim, concluo que, hoje, no dia dois de julho, tendo feito exercícios intensos por sete meses, essa será a forma mais primaveril que meu corpo se encontrará algum dia, porque pararei de fazer meus exercícios físicos. Esse é o ápice da minha beleza física, porque agora atributos da minha constituição física retrocederão. Tenho inveja de quem consegue realizar atividades de alto impacto, como eu fazia na minha infância. Só o homem SARADO conhece a grandeza e o vigor de um corpo em dia, como se preparado para uma vida selvagem. Eis, como memória desse momento, algumas fotos do ápice de vigor do meu corpo adulto, atrelado ao pouco de beleza a mim agraciado por Deus.


PS:

Não me importo com a briga com a Pâmella, é algo ínfimo e ela não me merecia (entenda a frase como quiser). Também não me importo com a briga com minha mãe, daqui a pouco estamos numa boa de novo e eu sei que ela quer meu bem sempre. O que não dá pra mudar é o problema no coração, mesmo, que vai ficar comigo pro resto da vida.